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Quando uma criança cria, ela também está aprendendo.

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Boa leitura

E se, ao invés de perguntarmos o que a criança produziu, começássemos a perguntar o que ela descobriu enquanto criava?


Na Educação Infantil, muitas vezes olhamos para um desenho, uma pintura, uma escultura ou uma colagem e enxergamos apenas o resultado final.

Uma folha colorida.

Uma pintura.

Uma construção.

Uma experiência com argila.

Mas, para a criança, existe muito mais acontecendo ali.

Enquanto cria, ela observa, experimenta, escolhe, compara, testa hipóteses, erra, transforma, recomeça, comunica sentimentos e constrói significados.


A arte não é apenas aquilo que a criança faz. É também uma das formas pelas quais ela pensa.

É por isso que, na Alphabetz, acreditamos que a arte precisa estar presente no cotidiano da criança e não apenas em momentos específicos do calendário escolar.

Essa visão está profundamente conectada à nossa abordagem inspirada em Reggio Emilia, que reconhece a criança como protagonista, potente, curiosa e capaz de construir conhecimento a partir de suas experiências e relações com o mundo.


A criança tem muitas formas de se expressar

Uma criança pequena ainda não possui todas as palavras necessárias para explicar aquilo que sente, pensa ou imagina.

Mas ela pode desenhar.

Pode pintar.

Pode modelar.

Pode dançar.

Pode construir.

Pode brincar.

Pode experimentar diferentes materiais.

Pode criar sons.

Pode observar e transformar aquilo que encontrou.

Essas experiências permitem que a criança encontre diferentes maneiras de comunicar aquilo que está descobrindo.

E é justamente aí que a arte ganha uma dimensão muito maior na Educação Infantil.


Ela se transforma em linguagem.

Quando uma criança mistura duas cores para descobrir o que acontece, existe investigação.

Quando escolhe determinado material para representar uma ideia, existe intenção.

Quando modifica uma construção porque percebe que ela não funciona, existe resolução de problemas.

Quando observa a produção de outra criança e cria algo diferente a partir daquela experiência, existe interação e aprendizagem.

Quando explica para o professor aquilo que fez, existe desenvolvimento da linguagem e construção de significado.

O que parece simplesmente uma brincadeira pode carregar uma enorme quantidade de aprendizagem.


Quais habilidades a criança desenvolve através da arte?

A experiência artística mobiliza diferentes dimensões do desenvolvimento infantil simultaneamente. Enquanto a criança cria, ela pode desenvolver:

🎨 Criatividade e imaginação Aprende a imaginar possibilidades, criar combinações, inventar soluções e transformar ideias em algo concreto.

🧠 Pensamento crítico e resolução de problemas Ao experimentar materiais e perceber que determinada estratégia não funcionou, a criança pensa em alternativas, testa novas possibilidades e aprende com suas próprias tentativas.

✋ Coordenação motora fina Pintar, desenhar, recortar, rasgar, amassar, modelar e manipular diferentes materiais exige movimentos cada vez mais precisos das mãos e dos dedos.

👀 Percepção visual e espacial A criança aprende a observar formas, tamanhos, cores, posições, proporções e relações entre diferentes elementos.

🗣️ Linguagem e comunicação Ao explicar o que criou, contar uma história sobre sua produção ou conversar sobre aquilo que observou, amplia seu vocabulário e desenvolve sua capacidade de comunicar pensamentos e ideias.

❤️ Expressão emocional A arte oferece diferentes possibilidades para que a criança manifeste sentimentos, experiências e percepções, inclusive quando ainda não consegue expressá-los completamente por meio da fala.

🤝 Socialização e colaboração Experiências coletivas permitem compartilhar materiais, negociar ideias, observar o outro, respeitar diferentes formas de criação e construir algo em conjunto.

🎯 Concentração e atenção Uma experiência que desperta curiosidade pode levar a criança a permanecer envolvida, observar detalhes, acompanhar processos e sustentar sua atenção por mais tempo.

🌱 Autonomia Escolher materiais, decidir como começar, experimentar caminhos e fazer escolhas durante o processo fortalece a percepção de que a criança é capaz de tomar decisões.

💪 Persistência e resiliência Nem tudo funciona na primeira tentativa. A criança aprende que pode experimentar novamente, modificar sua estratégia e continuar diante de um desafio.

🔎 Curiosidade e investigação A arte cria situações nas quais a criança pode perguntar, comparar, levantar hipóteses, experimentar e descobrir relações de causa e efeito.

🧩 Flexibilidade de pensamento Ao perceber que existem diferentes maneiras de representar uma ideia ou solucionar um problema, a criança amplia sua capacidade de pensar para além de uma única resposta.

✨ Autoconfiança Quando suas ideias são valorizadas e suas produções são respeitadas, a criança começa a perceber que é capaz de criar, decidir, transformar e contribuir.

E existe algo especialmente importante nessa perspectiva:

Não precisamos esperar que a criança produza algo “bonito” para que a aprendizagem aconteça.

O valor está no percurso.


O processo importa mais do que o produto

Na abordagem de Reggio Emilia, existe uma mudança importante de olhar.

Não estamos preocupados apenas com o produto final.

Estamos interessados no processo.

Por que a criança escolheu aquele material?

O que ela estava tentando descobrir?

O que aconteceu quando ela mudou uma variável?

Por que decidiu recomeçar?

O que ela percebeu?

O que contou aos colegas?

Que novas perguntas surgiram?

É nesse processo que o professor deixa de ser apenas aquele que apresenta uma atividade pronta e passa a ser também um observador, pesquisador e mediador das aprendizagens.

Na Alphabetz, buscamos criar experiências em que a criança tenha espaço para experimentar e construir suas próprias hipóteses.

Porque uma criança não precisa receber sempre uma resposta pronta.

Muitas vezes, ela precisa de espaço para descobrir.


Arte também desenvolve autonomia

Imagine uma criança diante de diferentes materiais.

Ela precisa decidir.

Qual usar?

Como começar?

Que cor escolher?

O que fazer quando não dá certo?

Continuar?

Mudar?

Pedir ajuda?

Tentar novamente?

Cada uma dessas pequenas decisões contribui para a construção da autonomia.

Por isso, quando oferecemos experiências artísticas significativas, não estamos apenas estimulando a criatividade.

Estamos também criando oportunidades para que a criança faça escolhas, assuma pequenas decisões e perceba que suas ideias têm valor.


E existe algo ainda mais importante: a criança precisa ser escutada

Uma das grandes riquezas da experiência artística está justamente na possibilidade de tornar visível aquilo que muitas vezes ainda não consegue ser explicado por palavras.

Um desenho pode revelar uma percepção.

Uma construção pode representar uma hipótese.

Uma pintura pode expressar uma experiência.

Uma escultura pode materializar uma ideia.

E quando o adulto pergunta:

“Você pode me contar sobre o que fez?”

em vez de simplesmente dizer:

“Que desenho bonito!”

Ele abre espaço para que a criança seja autora da própria narrativa.

É uma diferença pequena na pergunta, mas enorme na aprendizagem.


Na Alphabetz, a arte faz parte da nossa rotina

Por isso, em nossa escola, buscamos proporcionar experiências artísticas de maneira contínua.

Nosso Ateliê, com a presença da Atelierista, não é pensado apenas como um espaço para produzir trabalhos que serão enviados para casa.

É um ambiente de investigação.

Um lugar onde materiais, cores, formas, texturas, movimentos e diferentes linguagens podem provocar perguntas e novas descobertas.

A criança pode experimentar.

Pode se sujar.

Pode mudar de ideia.

Pode criar algo completamente diferente do que imaginávamos.

E tudo bem.

Porque não estamos formando pequenas crianças para reproduzir modelos prontos.

Estamos criando condições para que elas desenvolvam curiosidade, criatividade, autonomia, expressão, pensamento crítico e capacidade de pensar.


Talvez a pergunta não seja “o que a criança aprendeu?”

Talvez devêssemos perguntar:

O que ela descobriu?

O que ela tentou?

Que pergunta surgiu?

Que hipótese criou?

O que mudou durante o processo?

Como ela expressou sua ideia?

Quando começamos a observar dessa maneira, percebemos que uma criança diante de uma tela em branco, de um pedaço de argila, de uma caixa de materiais ou de uma experiência artística pode estar fazendo muito mais do que “uma atividade”.

Ela pode estar aprendendo a observar.

A tomar decisões.

A resolver problemas.

A comunicar.

A imaginar.

A persistir.

A criar.

A colaborar.

A interpretar o mundo.

E, principalmente, a perceber que suas ideias têm valor.

Essa é uma das razões pelas quais acreditamos tanto na arte dentro da Educação Infantil.

Porque, para nós, educar não é apenas ensinar uma criança a encontrar respostas.

É criar ambientes onde ela tenha liberdade, segurança e confiança para fazer perguntas, experimentar possibilidades e construir suas próprias descobertas.

Na Alphabetz, acreditamos que quando uma criança cria, ela não está apenas fazendo arte.

Ela está desenvolvendo habilidades para a vida.

E talvez seja justamente por isso que a infância precise de menos modelos prontos e de muito mais oportunidades para criar.


Markson Borges - Diretor Executivo

Escola Alphabetz — Onde o extraordinário acontece.